Petrobras prevê a contratação de 200 mil profissionais

Pré-sal deve por Brasil entre os dez maiores do mundo

IG

O Brasil tem a possibilidade de se tornar um dos dez maiores produtores de petróleo do mundo. Hoje ocupa a décima sexta posição. O aumento da produção brasileira com as reservas do pré-sal pode até levar o país, em um prazo estimado de cinco anos, a ser membro da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), que reúne e define as regras do comércio desse produto no planeta.

Um dos reflexos dessa onda do pré-sal acontece nas faculdades, onde os cursos voltados a este setor estão sendo valorizados. A carreira de engenheiro de petróleo, por exemplo, que antes era uma especialização de engenharia, já chegou à graduação e faz parte dos principais recrutamentos das empresas petrolíferas.

Exploração do pré-sal – A expectativa para início da exploração do pré-sal é 2015, mas a procura pelo curso de engenheiro de petróleo já aumentou, segundo o coordenador dessa área da engenharia na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), o professor Antonio Carlos Bannwart. \”O fator pré-sal tem sido muito atrativo, pois o volume da reserva é muito grande e irá garantir a autosuficiência do Brasil. Vão surgir muitos empregos nas plataformas, nos navios e em terra\”, garante. De acordo com os planos da Petrobras, empresa brasileira com papel majoritário na exploração do petróleo no Brasil, até 2013 irá precisar de 207 mil profissionais em 185 categorias. Atualmente, um engenheiro especializado em petróleo tem salário inicial de 5,6 mil reais.

Outras áreas – Além de engenharia do petróleo, que tem como base o curso de mecânica, o setor petrolífero abre vagas de estágio para outras áreas, como administração, comunicação, contabilidade, direito, física, geologia, geografia e outras formações de engenharia (ambiental, produção, química).

Concorrência – De acordo com o professor Bannwart, como os processos de seleção das empresas de extração são muito disputados, é fundamental ter uma boa formação. Na Petrobras, considerada a empresa dos sonhos dos jovens, segundo a pesquisa da consultoria internacional Universum, o concurso para o cargo de engenheiro de petróleo, em 2008, contou com 134 candidatos por vaga. Este ano, a concorrência subiu para 206 candidatos por vaga. \”É preciso ter um curso de primeira linha e o domínio de inglês é extremamente importante, pois essas empresas são totalmente globalizadas\”, afirma o professor da Unicamp.

Além da universidade de Campinas, o curso de engenheiro de petróleo ou sua especialização podem ser feitos na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Universidade do Vale do Itajaí (Univali) ou Universidade Federal Fluminense (UFF). No caso do programa de trainee da espanhola Repsol, uma das dez maiores empresas petrolíferas do mundo, em que o recém-formado passa um ano estudando na Espanha, são valorizados os candidatos que já tenham uma pós-graduação, MBA ou mais de uma graduação.

O iG Estágio e Trainee traz o perfil dos programas de trainee e estágio de cinco das principais empresas de exploração de petróleo no Brasil:

Chevron
Sobre o programa: Contrata cerca de 30 estagiários por ano e a bolsa-auxílio é de 950 reais por jornada de seis horas e 633 reais por quatro horas
Áreas: Administração, arquivologia, arquitetura, biblioteconomia, biologia, ciências contábeis, comunicação, direito, economia, engenharia (inclusive do petróleo), geofísica, geologia, oceanografia, psicologia, relações internacionais e química
Inscrições: Durante o ano inteiro no site , em Recursos Humanos.
Local de trabalho: Rio de Janeiro (RJ) e São Paulo (SP)
Sobre a empresa: A Chevron Brasil atua na área de exploração e produção de petróleo e no ramo de lubrificantes, que mantém a marca Texaco.

ExxonMobil
Sobre o programa: Contrata estagiários há mais de 50 anos e a bolsa-auxílio é de 980 reais para jornada de quatro horas diárias. A média de efetivação é de 80%.
Pré-requisitos: Formados de dezembro de 2011 a dezembro de 2012.
Inscrições: Podem ser feitas de 1º de julho a 31 de agosto pelo site da empresa.
Local de trabalho e áreas:
Paraná – Administração, ciências contábeis, economia, engenharia e informática
Rio de Janeiro – Administração, ciências contábeis, economia, engenharia ambiental, engenharia de produção, engenharia de petróleo, geologia e jornalismo
São Paulo – Química e engenharia química
Sobre a empresa: Maior companhia privada de petróleo e petroquímica do mundo, a ExxonMobil está presente em cerca de 200 países e territórios, atuando em toda a cadeia de petróleo e gás.

OGX
Sobre o programa: Contrata cerca de dez estagiários por ano. Por se tratar de uma equipe pequena, o estagiário é envolvido em projetos importantes, mas com supervisão constante. A bolsa-auxílio é de 1.050 reais para jornada de seis horas diárias e de 700 reais para jornada de quatro horas diárias. A efetivação média é de 95%.
Pré-requisitos: Estudantes no segundo ou terceiro ano de administração, engenharia do petróleo, economia, geologia e geofísica. É necessários domínio de inglês ou outras línguas e de informática.
Inscrições: Durante todo o ano no site da empresa, no \”Portal do Candidato\”.
Local de trabalho: Rio de Janeiro (RJ)
Sobre a empresa: É uma empresa do grupo EBX, do empresário Eike Batista, dedicada à exploração e produção de óleo e gás natural. É responsável pela maior campanha exploratória privada em curso no Brasil.

Repsol

Sobre o programa: Possui programa de estágio e também de trainee, chamado Programa Novos Profissionais, que dura dois anos, sendo o primeiro realizado em Madri, Espanha, para fazer um curso de especialização em exploração e petroquímica. No segundo ano fazem cursos práticos relacionados a suas áreas de interesse.
Pré-requisitos para o estágio: Inglês fluente; para alunos de administração, engenharia do petróleo, produção, economia, direito, física, geologia e geofísica e química
Pré-requisitos para o trainee: Inglês fluente; para formados em engenharia do petróleo, produção, geologia e geofísica
Inscrições para o estágio: Durante todo o ano no site da empresa
Inscrições para o trainee: A partir de maio no site da empresa
Local de trabalho: Rio de Janeiro (RJ)
Sobre a empresa: Uma das dez maiores empresas petrolíferas do mundo, está presente em mais de 30 países e proporciona aos funcionários uma oportunidade de carreira internacional.

Shell
Sobre o programa de estágio: São contratados cerca de 90 estagiários por ano, que contam com o acompanhamento direto de um supervisor que será responsável pela definição de metas e avaliação de seus resultados.

Além disso, participará de palestras internas com executivos da empresa, grupos de discussão, estudos de caso da própria Shell e visitas aos pontos de fabricação dos produtos. A média de efetivação é de 20%. A bolsa-auxílio é de 800 reais para jornada de quatro horas diárias e de 1.200 reais para jornada de seis horas.

Sobre o programa de trainee: São contratados em média dez recém-formados por ano, que passam por treinamentos obrigatórios e experiências em diversas de trabalho. Eventualmente também poderão participar de projetos em outros países.

Pré-requisitos para o estágio: Conclusão da graduação de até seis meses antes do período de inscrição. Formados em administração, ciências econômicas, engenharia (elétrica, química, mecânica, de petróleo, de produção e ambiental) e psicologia; Inglês avançado; Conhecimentos no Pacote Office

Pré-requisitos para o trainee: Até dois anos de formado. Formados em administração, ciências econômicas, engenharia (elétrica, química, mecânica, de petróleo, de produção e ambiental), geologia e psicologia; Inglês avançado; Conhecimentos no Pacote Office;
Inscrições: Os candidatos para trainee ou estágio podem se inscrever o ano inteiro no site da empresa no \”Banco de Oportunidades\”. Mas, a seleção ocorre em datas fixas: para estágio, no início de cada semestre; e para recém-formados, uma vez por ano, geralmente no primeiro semestre.
Local de trabalho do estágio: Rio de Janeiro (RJ)
Local de trabalho do trainee: Brasília (DF), Rio de Janeiro (RJ) e São Paulo (SP)

Sobre a empresa: A Shell está presente em mais de 90 países e chegou ao Brasil há quase 100 anos, onde responde por 16% do mercado nacional de distribuição de combustíveis. Também atua na exploração e produção de petróleo.

Fonte: Midia News

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Programas de trainee são um atalho para o sucesso

Verdadeiros aceleradores de carreira, os programas de treinamento estão à caça de jovens talentos com perfil de liderança

Alessandra Ogeda | alessandra.ogeda@diario.com.br

Com um índice de concorrência maior que muitos vestibulares disputados e concursos públicos, os programas de trainee oferecem bons salários, benefícios e acesso a lideranças que seriam impossíveis para pessoas contratadas por outras vias. O DC mapeou as ofertas e os pré-requisitos de programas disponíveis e consultou algumas das maiores empresas de SC para saber o perfil procurado.

Inspirados no conceito da palavra inglesa training, que significa treinamento, os programas de trainee ganham cada vez mais visibilidade e importância. As seleções mais disputadas registram uma proporção de até 1,7 mil candidatos por vaga, como demonstra o índice da 20ª seleção para trainees da Ambev este ano. Empresas menos visadas registram índices entre 500 e 700 candidatos por vaga. Os salários oferecidos variam entre R$ 2,5 mil e R$ 4 mil. 

Jovens e competitivos, em sua maioria, os participantes buscam o caminho mais rápido entre a entrada e a ascensão de cargos em uma grande companhia. As empresas apostam as suas fichas em uma fórmula que chegou no país há pouco mais de 20 anos, importada de modelos de seleção de multinacionais, para formar um grupo bem preparado, competitivo e focado em resultados.

Domínio do inglês é pré-requisito

A prática se espalha pelas empresas de capital exclusivamente nacional e entre as catarinenses, mais especificamente, na mesma proporção em que os empreendimentos investem em crescimentos estratégicos a médio e longo prazos. O direcionamento dos investimentos para a entrada ou expansão no competitivo mercado internacional também incentiva a escolha de programas de trainee para acelerar o preparo dos futuros líderes ou mesmo da equipe técnica. 

A seleção é dura. Não apenas pela grande proporção de candidatos por vaga, mas especialmente pelos conhecimentos e pelo desempenho que os finalistas devem apresentar. Os que não falam inglês fluentemente, para começar, não devem nem se arriscar. 

Segundo Marilda Leite, consultora da paulista Cia. de Talentos, responsável por alguns dos maiores processos seletivos de trainees do Brasil, como Johnson & Johnson, Unilever e Itaú, a fluência em inglês é um dos pré-requisitos mais exigidos e mais difíceis de serem encontrados.

Os primeiros filtros, que incluem a avaliação de currículo e alguns testes (normalmente de lógica, raciocínio e inglês) são feitos online. Quem passa para a fase seguinte, inicia uma série de entrevistas com profissionais de recursos humanos e lideranças da empresa, participando ainda de dinâmicas de grupo. Nelas, o candidato deve destacar-se, mas também mostrar que sabe trabalhar em equipe. O pior defeito que um profissional pode apresentar, durante a seleção, segundo Marilda, é a falta de comprometimento e de envolvimento.

– Para os candidatos, a fase mais difícil é a que tem a participação dos gestores. Eles geralmente ficam tensos e preocupados – revela.

Ultrapassada a maratona de provas da fase de seleção, os profissionais com melhor desempenho entram para o treinamento. Com duração entre um e dois anos, os programas promovem uma formação acelerada do jovem talento. Há 20 anos auxiliando grandes empresas a contratar trainees e estagiários, a Cia. de Talentos percebe uma evolução do setor.

– As empresas compreenderam que o trainee é um jovem recém-formado, normalmente sem ou com pouca experiência profissional. Por isso ele, tem que ter um tempo maior para conseguir se desenvolver e atingir o nível que a empresa espera, seja como líder ou não. Hoje a maioria das empresas deixa claro que não necessariamente todos os trainees serão líderes no futuro – comenta Marilda.

MARILDA LEITE, Consutora da Cia. de Talentos

As empresas compreenderam que o trainee é um jovem recém-formado, normalmente sem ou com pouca experiência profissional. Por isso, ele tem que ter um tempo maior para se desenvolver e atingir o nível que a empresa espera.

MÔNICA GONZAGA, Líder de Recrutamento da Embraco

Hoje temos um programa sistemático de trainee porque, com o crescimento do grupo, cada vez mais globalizado, precisamos de lideranças para os novos negócios e projetos de expansão.  

Fonte:  Diário Catarinense

11 programas de trainee encerram inscrições

Salários chegam a 4,5 mil reais

Talita Abrantes, de EXAME.com
31/08/2010 | 11:58

GERMANO LUDERS/EXAME - Trainees da Ambev: inscrições para edição 2011 do programa terminam dia 7

São Paulo – A primeira fase da temporada de muitos programas de trainee já está chegando ao fim. Pelo menos onze companhias encerram as inscrições para o processo de seleção até o próximo dia 9 de setembro.

Mas ainda dá tempo de entrar na briga por uma oportunidade de trainee nessas companhias. Confira, abaixo, a lista com onze empresas que ainda estão recebendo inscrições. Clique no nome da empresa para informações sobre o processo de seleção

Empresa Inscrições Salário
3M até 31/8 R$ 4 mil
Unilever até 1/9 R$ 4,5 mil
Gerdau até 1/9 não informado
Gafisa até 1/9 R$ 4 mil
Bosch até 2/9 R$ 4,4 mil
GE até 7/9 não informado
Magazine Luiza até 7/9 não informado
AmBev até 7/9 não informado
Johnson & Johnson até 8/9 não informado
C&A até 9/9 não informado
Brasil Foods até 9/9 não informado

Abertas 350 vagas na TIM para trainees e estagiários

Publicado em 19.08.2010, às 11h14

Do JC Online

A empresa de telefonia TIM abre 350 vagas em todo o Brasil para jovens recém-formados e universitários de várias áreas. Os interessados em um dos dois programas (Talentos Sem Fronteiras ou Estágio Sem Fronteiras) devem se cadastrar pelo site da TIM. Para o primeiro caso, as inscrições vão até o dia 24 de setembro e para o estágio, até 29 de outubro.

O Talentos Sem Fronteiras vai selecionar 150 recém-formados – no máximo dois anos de formado -, que participarão de teste online, dinâmica de grupo e entrevistas. O candidato deverá ter inglês fluente e disponibilidade para viagens e transferências.

Os selecionados trabalharão nas operações da TIM no Rio de Janeiro, São Paulo, Santo André, Curitiba, Recife e Brasília, distribuídos nas áreas de tecnologia, marketing, comercial, atendimento ao cliente, recursos humanos, finanças, assuntos regulatórios, suprimentos, logística e imagem e publicidade.

Já para participar do programa Estágio Sem Fronteiras, os estudantes precisam estar a um ou dois anos da formatura, além de ter bom rendimento acadêmico e conhecimentos avançados em inglês e informática. O processo seletivo inclui triagem de currículos no site, testes online, dinâmica de grupo, redação e entrevista individual com a área de RH.

A carga horária dos estagiários da TIM é de 30h semanais e o período pode se estender por até dois anos. O estágio oferece bolsa-auxílio, vale-refeição, vale-transporte integral e celular funcional.

Fonte: JC ONLINE

A nova entrevista de trabalho

Vanessa Vieira, de Você S/A
Terça-feira, 17 de agosto de 2010 – 10h37

Getty Images - Processo seletivo ficou mais longo e mais rigoroso. Agora, os recrutadores querem saber como você se comporta no ambiente de trabalho e, principalmente, fora dele

SÃO PAULO – Se você quer mudar de empresa ou participar da seleção de uma grande companhia, prepare-se. A entrevista de emprego ficou mais complicada.

Descarte as velhas respostas prontas para perguntas como “Por que você quer esse trabalho?” e “Onde você se imagina daqui a cinco anos” e acostume-se à ideia de contar aos entrevistadores sobre sua vida pessoal e características de personalidade que vão muito além do tradicional “Fale-me sobre seus principais pontos fortes e fracos”. Antes, interessava ao empregador conhecer o currículo do candidato e as experiências profissionais que pudessem contribuir para o desempenho do funcionário no cargo pretendido.

“O PRINCIPAL ERRO QUE UM CANDIDATO PODE COMETER É NÃO CONHECER A CORPORAÇÃO, NOSSA CULTURA. COM TANTA INFORMAÇÃO DISPONÍVEL NA INTERNET, ISSO DEMONSTRA PREGUIÇA E FALTA DE INTERESSE” Cícero Barreto, diretor comercial e de marketing da Omint

O processo era mais rápido e o nível de conhecimento sobre a personalidade, o caráter e o comportamento do candidato era avaliado de forma superficial.

Essas dimensões eram consideradas importantes, mas não havia uma predisposição para escarafunchar esses tópicos na entrevista de emprego. Hoje, isso mudou. As empresas, principalmente as grandes corporações, estão mais exigentes na hora de contratar.

A análise do currículo está mais criteriosa, o processo de seleção ganhou mais etapas e ficou mais longo. Isso se deve ao aumento do número de competências que são verificadas.

Em média, o candidato a um posto de nível médio deve estar preparado para enfrentar uma bateria de seis entrevistas, feitas por gestores dos diversos departamentos que vão interagir com o novo funcionário.

“A contratação para um posto gerencial tem durado cerca de dois meses, para um posto de direção, em torno de seis meses e para a presidência, até dez meses”, afirma Mariá Giuliese, diretora executiva da Lens & Minarelli, consultoria de recolocação.

As competências pessoais e os valores das pessoas se tornaram determinantes para a contratação. Informações sobre história de vida, visão de mundo, crenças e desejos passaram a fazer parte das entrevistas. A ideia é saber o quanto o perfil do candidato está alinhado à cultura da empresa.

Segundo a Society for Human Resource Management, entidade que reúne profissionais e consultorias de RH nos Estados Unidos, hoje, 54% dos recrutadores baseiam sua decisão final de contratação na “química” com o candidato.

As companhias têm percebido que a maior parte das demissões ocorre por dificuldades de adaptação ao ambiente e à filosofia da empresa.

Quando o candidato não está feliz na companhia, mais cedo ou mais tarde acaba saindo.

“E o processo para substituir a contratação que falhou sai caro, seja pelo custo de uma seleção, seja pelo desgaste da equipe numa troca de chefia, ou pelo atraso no cronograma que essas transições provocam”, diz o consultor de carreira e coach Nélio Bilate.

Para conquistar a vaga de gerente financeiro do Shopping Curitiba, que pertence à BR Malls, o administrador de empresas Daniel Momoli, de 31 anos, percebeu o quanto o processo de entrevista está mais complexo.

No início deste ano, precisou conquistar a aprovação de sete pessoas. “Em empregos anteriores, eu só passava pelo RH e pelo meu futuro supervisor”, compara Daniel.

Daniel Momoli, 31 anos, da BR Malls: até teste para avaliar a ética

Numa das etapas ele teve de fazer um teste de ética, com cem perguntas. “Precisei dizer o que pensava sobre uso de drogas, suborno, mentira e transgressão de regras entre a população”, recorda. “Até minha expressão corporal durante essa etapa foi avaliada.”

Imprevisibilidade

As perguntas feitas pelos entrevistadores também mudaram, com o objetivo de extrair respostas mais espontâneas.

Entram em cena questões como “Quanto você sente que controla o seu destino” e “Dê uma nota de 1 a 10 à sua felicidade”, por meio das quais os recrutadores avaliam quesitos como autoconfiança, autonomia e atitude entusiasmada ou pessimista do candidato.

Isso porque as empresas estão cada vez mais preocupadas com a qualidade do ambiente de trabalho e o impacto que as pessoas têm sobre ele. Segundo o Guia VOCÊ S/A-EXAME – As Melhores Empresas para Você Trabalhar, as 150 companhias listadas têm uma rentabilidade sobre o patrimônio de 12,7%, ante 3,5% das empresas presentes na lista das 500 Maiores & Melhores, publicada pela revista EXAME.

As empresas também querem saber se o candidato consegue equilibrar vida profissional e pessoal. “Pergunto aos profissionais como se divertem e o que fazem nos momentos de lazer”, diz Fábia Barros, gerente da Foco Talentos. “Digo que quero saber como o candidato é quando está de bermuda e chinelo.” O relacionamento familiar, aliás, ganhou lugar de destaque.

O headhunter Gilvan Delft, diretor da Page Personnel, conta que, antes de contratar, alguns clientes fazem questão que uma das entrevistas aconteça na frente da mulher do candidato, durante um jantar.

“O candidato dificilmente vai conseguir mentir quando perguntarmos se ele consegue equilibrar bem vida pessoal e trabalho e se realmente tem disponibilidade para viajar ou se mudar”, conta o headhunter.

O administrador de empresas Denício Neto, de 32 anos, foi contratado há cerca de um ano para uma vaga de executivo de atendimento e relacionamento na Totvs.

A vaga exigia habilidades de comunicação e relacionamento interpessoal para vender softwares de gestão corporativa. “Para essa atividade, não basta ter o conhecimento técnico sobre o programa, é preciso falar a mesma língua dos empresários.”

Para avaliar a capacidade de Denício se relacionar, os entrevistadores fizeram perguntas sobre sua infância. “O headhunter me perguntou se fui uma criança extrovertida e se tinha facilidade para fazer amizades”, recorda o executivo.

Prova de fogo

Exemplos de perguntas que têm sido feitas nas entrevistas de trabalho e o que elas querem dizer:

SE VOCÊ TIVESSE MORRIDO, O QUE SERIA ESCRITO EM SUA LÁPIDE?

O objetivo da pergunta é fazer com que o candidato se descreva como pessoa fora do contexto profissional . Outras empresas ainda optam pela manjada “Quem é você?”.

SE TIVESSE 1 MILHÃO DE REAIS, QUE EMPRESA VOCÊ ABRIRIA?

A pergunta testa o grau de identificação do candidato com o ramo de atividade da companhia que está contratando.

DE QUE FORMA VOCÊ BUSCA AUTOCONHECIMENTO?

Em vez de perguntar se a pessoa busca autoconhecimento, a questão pede uma resposta que contenha exemplos e, assim, desmascarar os que não fazem isso.

O QUE SEUS PAIS PENSAM SOBRE SUAS ASPIRAÇÕES?

A pergunta avalia autoconfiança e o tipo de postura que o candidato foi incentivado a ter ao longo da vida. “Pessoas que recebem apoio dos pais e são incentivadas tendem a ser mais empreendedoras e independentes”, diz o coach Nélio Bilate.

NUMA ESCALA DE 1 A 10, QUE GRAU DE CONTROLE VOCÊ TEM SOBRE SEU DESTINO?

A questão testa a iniciativa do candidato, a capacidade de assumir a responsabilidade por suas decisões e escolhas e sobre o que espera realizar em sua vida.

PROFISSIONALMENTE, QUAIS SÃO AS TRÊS COISAS QUE VOCÊ MAIS SE ENVERGONHA DE TER FEITO?

O objetivo é checar o senso de autocrítica e a resistência da pessoa a frustrações.

SEU SUPERIOR SERÁ PROMOVIDO. VOCÊ QUER A VAGA DELE? O QUE VAI FAZER PARA CONSEGUIR ISSO?

A resposta do candidato vai permitir avaliar caráter, ambição e vontade de crescer. É uma forma de conhecer seu tipo de personalidade.

VOCÊ JÁ PRECISOU ABRIR MÃO DE ALGUMA COISA NA SUA VIDA EM NOME DE OUTRA?

Aqui, a partir da história contada pelo candidato, os entrevistadores vão avaliar o que ele realmente valoriza e prioriza e o quanto está disposto a ceder para agarrar a oportunidade da vaga.

POR QUE ESCOLHEU ESTA EMPRESA E NÃO A NOSSA CONCORRENTE?

O interessado vai ter de demonstrar conhecimento sobre a cultura da companhia para a qual está se candidatando. A ética do candidato é analisada, já que se observa se ele vai falar mal do concorrente.

QUAIS SÃO SUAS PERGUNTAS?

Os recrutadores esperam que o candidato faça perguntas. Além de demonstrar interesse em conhecer a empresa, quem pleiteia o posto demonstra curiosidade e vontade de aprender.

“OS CANDIDATOS MAIS JOVENS COSTUMAM TER MAIOR ABERTURA PARA O NOVO MODELO DE ENTREVISTA. OS ALTOS EXECUTIVOS TAMBÉM, PORQUE ESTÃO MAIS FAMILIARIZADOS COM PROCESSOS DE SELEÇÃO. QUEM CHEGA MAIS DESPREPARADO PARA ESSE TIPO DE SITUAÇÃO SÃO OS CANDIDATOS DE MEIA IDADE E NÍVEL MÉDIO, QUE SE MOSTRAM MAIS TRAVADOS”

Fábia Barros, gerente da Foco Talentos

Autoconhecimento

No Brasil, uma das empresas onde a busca pela “química perfeita” com o candidato é mais emblemática é a Natura. Autonomia, iniciativa e sustentabilidade são itens verificados na entrevista.

“Conta muito a capacidade de assumir responsabilidade pelas ações e escolhas que faz na sua vida e na carreira”, explica Rogério Chér, diretor corporativo de RH da Natura.

Manuela Bernis, de 39 anos, aprovada recentemente na seleção para gerente de recursos humanos da Natura, teve de responder perguntas como “Em que momento da sua vida o autoconhecimento fez a diferença?”.

Até assuntos considerados polêmicos, como religião, foram abordados. “Falar de religiosidade era um tabu para mim porque considerava uma questão pessoal”, diz ela.

Manuela Bernis, 39 anos, gerente de RH da Natura: teve de falar sobre temas polêmicos com o entrevistador

Agora, a executiva avalia positivamente o grau de abertura desde a contratação.

“Como houve muita transparência de ambas as partes, sinto que a empresa me conhece bem e eu a ela. Sinto que fui escolhida, mas que também escolhi e isso só aumenta o meu comprometimento”, diz. Em maior ou menor grau, o desejo de saber mais sobre o caráter do candidato tem aparecido nas entrevistas.

Na seleção do trainee Fábio Lima, de 27 anos, no grupo Ale, o entrevistador o questionou sobre seu alinhamento com um dos valores do grupo — o respeito pelas pessoas.

Fábio relatou um fato que até então não julgava relevante para a seleção: durante o tempo em que morou na Austrália, trabalhou como faxineiro e como entregador de pizza. “Fui destratado em várias ocasiões e aprendi na pele o que é respeito pelas pessoas.

Essa experiência valeu minha aprovação no processo”, diz. O principal conselho que ele dá para quem pretende passar por um processo seletivo é o autoconhecimento. “Seja autêntico e espontâneo, e não tente dançar conforme a música, porque certamente não vai funcionar”, avisa Fábio.

“QUANDO O CANDIDATO ESTÁ DESCONFORTÁVEL SOBRE ALGUM TEMA, INSISTIMOS. É A CHANCE DE CONHECÊ- LO EM UMA SITUAÇÃO REAL. AQUI, SUAS PROPOSTAS NEM SEMPRE SERÃO ACEITAS E É PRECISO AVALIAR A CAPACIDADE DE RESISTÊNCIA À FRUSTRAÇÃO”

Marcio Fróes Torres, vice-presidente de gente e gestão da AmBev

Como se preparar

Se a entrevista mudou, também muda a forma como o candidato deve se preparar para ela. Abaixo, as principais dicas dos consultores:

1 – FAÇA UMA REFLEXÃO PESSOAL

É importante conhecer-se bem. Para saber quais são seus pontos fortes, antes de ir à entrevista, faça uma reflexão sobre quem é você.

2 – CONHEÇA A CULTURA DA EMPRESA

Se o recrutador revelar onde é a vaga, procure se informar ao máximo não só sobre o ramo de atividade e momento atual da companhia, mas também sobre sua cultura e a filosofia.

Identifique a imagem que a empresa passa e os valores que ela espera dos seus colaboradores fazendo uma varredura na internet.

3 – USE A TECNOLOGIA A SEU FAVOR

Procure no LinkedIn perfis de líderes da companhia à qual está se candidatando. Analisar como eles se descrevem e se têm um passado profissional, que inclui empresas com um determinado perfil e filosofia, pode render informações preciosas sobre o tipo de profissional que buscam. Inscreva-se também em serviços de alerta de notícias para saber o que vem sendo publicado sobre a companhia.

4 – CONHEÇA O PROCESSO SELETIVO

Sites internacionais, como o Glassdoor.com, possuem ferramentas que permitem ler relatos de pessoas entrevistadas pela mesma companhia na qual você deseja trabalhar. Essa dica ajuda quem se candidata a postos em multinacionais, dando uma prévia da seleção.

5 – TENHA UM ESTOQUE DE EXEMPLOS

Uma vez que você identificou suas principais habilidades, e que esteja informado sobre os valores e as metas da companhia, faça um levantamento de histórias vividas por você que lhe ajudem a demonstrar que está preparado para trabalhar dentro da filosofia da corporação. Não vai ser suficiente para apenas afirmar que tem determinadas qualidades. Para ser aprovado, é preciso dar exemplos. Esteja preparado.

6 – INFORME E EXPLIQUE

Cada pergunta tem um propósito e o entrevistador vai tirar uma conclusão sobre você a partir das suas respostas. Então, cada vez que der uma informação sobre sua vida, acompanhe de uma breve explicação do porquê essa circunstância foi positiva. Isso evitará os preconceitos.

Se for informar que é filho único, por exemplo, antes que o recrutador possa interpretar que você é mais individualista, enfatize o lado positivo dessa situação, que o forçou a fazer amizades fora do âmbito familiar e se tornar mais aberto a conhecer novas pessoas.

Como se vestir para a entrevista de emprego

O ambiente de trabalho está mais informal. Até as instituições financeiras vêm abolindo a obrigatoriedade do terno e gravata. Desde janeiro, o banco Santander parou de exigir esse tipo de traje na empresa. Mas a aparência ainda conta pontos na entrevista de trabalho.

Adequação é a medida certa. “Do mesmo jeito que você vai se fazer notar se for de terno para um passeio de domingo no parque, também vai chamar a atenção se for para a entrevista vestido como quem vai para o parque”, diz André Ferreira da Silva, superintendente de RH do Santander. Os especialistas sugerem que os candidatos continuem investindo na apresentação.

No livro Casual Power, a autora americana Sherry Maysonnave lembra que a maneira de se vestir é o componente primário da imagem pessoal e tem um grande poder de comunicação. “O desafio hoje é ter habilidade para se vestir de forma casual e transpirar tanto poder, autoridade e credibilidade quanto ao usar um terno”, escreve.

Dicas de imagem:

Atraia, não distraia: fique atento à maneira como as pessoas de sucesso do seu ramo se vestem.

Cuide dos acessórios: sapatos podem comprometer todo um visual bem cuidado se estiverem sujos, estragados ou com saltos desgastados.

Tenha um bom corte de cabelo: um corte de cabelo bem resolvido economiza tempo por ser mais fácil de ajeitar.

Transmita autoconfiança: para as mulheres, um pouco de maquiagem bem aplicada está associado à atenção aos detalhes. Para homens, um belo sorriso tem o mesmo efeito.

Controle a respiração: um ritmo apressado denota estresse. Antes de entrar para a entrevista, respire profundamente. Isso vai acalmá-lo e corrigir sua postura.

Fonte: INFO ABRIL

Com salários de até R$ 4.500 e boas chances, programas de trainee abrem inscrições

GIULIANA VALLONE
DE SÃO PAULO
15/08/2010

A temporada de inscrições para os programas de trainees começa neste semestre, e muitos jovens recém-formados têm a chance de dar o pontapé inicial em seu plano de carreira. Grandes companhias do país, como AmBev, Unilever e Gafisa, contam com essa seleção para formar, mais à frente, seu quadro de funcionários do alto escalão.

“O programa de trainee é uma das principais portas de entrada da companhia. Cerca de 98% dos nossos níveis de liderança são oriundos de promoção interna”, afirma Thiago Porto, gerente de Desenvolvimento de Gente da Ambev. Na Gafisa, cerca de 70% dos atuais coordenadores de obras, gerentes e diretores começaram suas carreiras como estagiários ou trainees.

De acordo com a Companhia de Talentos, que realiza parte dos processos de seleção em nome das companhias, apenas no segundo semestre serão abertas as inscrições para 26 programas, somando mais de 500 vagas no país.

“O programa de trainee é um caminho vantajoso, uma forma de iniciar a carreira sem ter experiência prévia. As companhias se prontificam a preparar o recém-formado para o negócio da empresa”, diz Marcio Vinycius Pereira, consultor de recrutamento e seleção da Companhia de Talentos, do grupo DMRH.

A maioria dos programas treina os inscritos nas mais diversas áreas da companhia, conferindo ao profissional um conhecimento mais profundo sobre o negócio. Por conta disso, de acordo com Pereira, é comum que o trainee tenha uma vaga estratégica na empresa reservada mais à frente, “já que tem uma visão sistêmica da empresa.”

Karime Xavier/Folhapress - O gerente de projetos da Gafisa, Eduardo Rodrigues, 28 anos, participou do programa de trainee da construtora há cinco.

O engenheiro Eduardo Rodrigues, 28, participou do programa da Gafisa há cinco anos. Terminado o treinamento, foi contratado como coordenador de vendas, se tornando gerente de projetos da construtora e incorporadora cerca de um ano depois.

Para ele, o programa acelerou bastante o processo de promoção dentro da empresa. “O trainee é uma boa oportunidade, primeiro pela formação que o programa proporciona, e também pela projeção que isso gera dentro da companhia”, afirma. “Hoje, estou bem colocado no mercado. Da minha turma de faculdade, poucos têm hoje cargo de gerente.”

DICAS

Mas, com tantos atrativos, esses programas costumam ser mais concorridos que as provas de vestibular no país. Em 2009, 128.144 inscritos disputaram 10.622 vagas no vestibular da USP (Universidade de São Paulo). Na Unilever, 48.500 pessoas disputaram apenas 28 vagas de trainee no ano passado. O salário para os aprovados neste ano é de R$ 4.500.

Na AmBev, o número de concorrentes chegou a 60.133, que resultou em apenas 26 contratados.

O superintendente do CIEE (Centro de Integração Empresa-Escola), Eduardo de Oliveira, afirma que autenticidade é essencial na hora de participar de um processo de seleção como este. “Nada de querer fazer tipos ou inventar alguma coisa que não seja verdadeira”, afirma.

Além disso, o candidato deve investir em sua formação e em atividades extracurriculares, como trabalho voluntário ou experiências no exterior. Tudo para garantir um diferencial frente a tantos concorrentes. “Autenticidade num processo desses é efetivamente o que vale. E boa formação, não só acadêmica mas também o conhecimento adquirido fora da sala de aula.”

Pereira, da Companhia de Talentos, acrescenta que, além disso, um ingrediente comportamental importante para fazer a diferença é humildade. “Pode parecer chavão, mas, se você pensar bem, o cargo exige isso. Para fazer ‘job rotation’ [trabalhar em diversas áreas da empresa], respeitar os profissionais que já estão lá dentro. É importante saber que você terá de galgar degraus até atingir seus objetivos”.

Veja as empresas que estão recebendo inscrições para os programas de trainee:

ESTÁGIOS

Para aqueles que ainda não se formaram mas têm interesse em começar a trabalhar na área ou empresa de interesse, os programas de estágio são uma boa oportunidade. “O estágio e o trainee são ambos portas de entrada no mercado de trabalho, mas cada processo de seleção tem seu nível de dificuldade”, afirma Pereira.

Veja algumas empresas que também oferecem programas de estágio:

Fonte: Folha

Com salário de 4,2 mil, grupo Libra recruta trainee

Oportunidades estão espalhadas por cinco cidades em dois estados diferentes

Talita Abrantes, de EXAME.com
29/07/2010 | 14:10

REPRODUÇÃO - Candidatos precisam ter nível de inglês intermediário e disponibilidade para viajar

São Paulo –

Recém-formados têm até o próximo sábado 31 de julho para se inscrever no programa de trainee do Grupo Libra, operador portuário e de logística de comércio exterior. Ao todo, são oferecidas 20 oportunidades.

Há vagas  nas cidades de São Paulo, Santos, Cubatão, Campinas e Rio de Janeiro para todas as empresas controladas pelo grupo. Assim, os aprovados poderão trabalhar na Libra Terminais, Libra Logística e Libra Participações.

Para participar, os candidatos precisam ter concluído a graduação entre dezembro de 2007 e agosto de 2010. Nível de inglês avançado e disponibilidade para viagens são alguns dos requisitos exigidos pela companhia.

As inscrições devem ser feitas pelo site www.focotalentos.com.br/traineelibra2010. O processo de seleção conta com provas de português, inglês e raciocínio lógico, dinâmicas de grupo, entrevistas individuais com a participação de um profissional da área de RH, gerentes e diretores.

Os aprovados serão admitidos na companhia já em outubro. O salário inicial é de 4.200 reais.

Fonte: Portal EXAME